Entrada #2

Percebo a necessidade dos diálogos. Implicam que a narrativa saia da cabeça do narrador, havendo no romance matéria bruta. Mas sempre tive problemas com o discurso directo: se a parte descritiva tem um cunho literário propositado, é difícil mantê-lo ao pô-lo na boca de personagens. A linguagem está cheia de erros, hesitações, a língua obedece a princípios económicos e a objectividade. Se quiser enfeitá-la, mesmo que tente ser simples, cometo o erro crucial de armar ao literário, usando um tom inadequado e caindo forçosamente no ridículo. Se não o faço, reduzo a narrativa. Quo vadis, Ana Bárbara?